Instituto Latino-Americano de Psicanálise

Ingresso ao ILaP

O candidato deve possuir um diploma universitário, não necessariamente em psicologia ou medicina, de acordo com a legislação regulamentadora de seu país na prática clínica da psicanálise.

Deve dirigir-se por escrito à secretaria do ILAP, enviando uma carta à Direção Geral e à Direção de Admissão e Formação. Posteriormente, serão realizadas entrevistas informativas e, em seguida, de admissão. Após ser aprovado nas entrevistas, o candidato poderá ingressar na formação.

Formação em ILAP

A formação no ILAP baseia-se no já mencionado tripé que caracteriza a formação psicanalítica, nos modelos da IPA:
  • Análise pessoal
  • Seminários teóricos
  • Supervisão de material clínico

 

Análise pessoal

A análise pessoal dos candidatos deverá ser realizada por analistas com função didática de qualquer sociedade psicanalítica da FEPAL ou por analistas habilitados pelo ILAP para essa função.

Devido à pandemia da COVID-19, a IPA autorizou que as análises passassem a ocorrer exclusivamente de forma remota, durante o tempo que durasse aquela situação excepcional. Naquele caso, com uma frequência de três sessões semanais.

Uma vez finalizada a pandemia, e avaliada pela IPA a situação das análises de formação em relação à presencialidade/virtualidade, a partir de janeiro de 2025, pelo menos 25% das sessões de análise pessoal deverão ser presenciais.

Formação Teórica

Seminários de formação geral

Os seminários curriculares serão ministrados por um analista didata habilitado pelo seu Instituto de pertença. O plano de estudos é uma série programada de seminários durante um período de quatro ou cinco anos.

O foco está nos conceitos básicos da psicanálise, estabelecidos nos trabalhos de Sigmund Freud e desenvolvimentos posteriores, com o objetivo de considerar a ampla variedade de abordagens psicanalíticas atuais.

O programa de formação do ILAP consiste em 18 grupos de seminários, cada um deles com no mínimo 16 encontros de 90 minutos. Para concluir o plano de estudos, os alunos devem cursar:

A) Oito (8) grupos de seminários de teoria freudiana.
B) Dois (2) grupos de seminários de autores pós-freudianos.
C) Quatro (4) grupos de seminários teórico-clínicos:
D) Dois (2) grupos de seminários de Psicopatologia Psicanalítica.
E) Dois (2) grupos de seminários de livre escolha.

Durante a formação, são contempladas atividades científico-didáticas (de caráter obrigatório) que consistem em convidar um psicanalista de destaque para ministrar uma palestra e uma supervisão em grupo para os analistas em formação.

Seminários de Formação Integrada de Crianças e Adolescentes

1) Um (1) grupo de seminário de Teoria da Técnica que consiste em 16 encontros de uma hora e meia, distribuindo seu conteúdo aproximadamente entre: 4 encontros sobre trabalho com bebês, 4 encontros sobre trabalho com crianças e latentes, 4 encontros sobre trabalho com adolescentes e 4 encontros sobre trabalho no campo analítico ampliado: pais, escola e outros profissionais.

2) Um (1) grupo de seminário de Teoria psíquica que consiste em 16 encontros de uma hora e meia: Constituição psíquica, Situação edipiana, latência e adolescência.

3) Um grupo de seminário de psicopatologia de crianças e adolescentes que consiste em 16 encontros de uma hora e meia, em que serão revisadas as patologias específicas de cada período e sua compreensão psicodinâmica.

4) Como sugestão não obrigatória, um (1) ano de Observação de bebês: Guiado por um analista treinado em Observação de bebês, com encontros semanais para discussão das observações.

Esses seminários sobre crianças e adolescentes podem ser realizados em diferentes momentos do processo de formação integrada e podem até mesmo ser incluídos como seminários opcionais para os analistas em formação que não desejam fazer a Formação Integrada.

É importante esclarecer que o analista em formação deve primeiro obter o reconhecimento de Psicanalista de Adultos da IPA para, posteriormente, solicitar o título de Psicanalista de Crianças e Adolescentes junto à IPA/COCAP. Não é possível ser psicanalista de crianças, reconhecido pela IPA, sem antes ter concluído a formação para adultos.

Os seminários específicos para crianças e adolescentes podem ser oferecidos como opção livre dentro da programação de seminários da ILAP, de forma que os candidatos interessados possam fazê-los mesmo que não estejam optando pela formação integrada para crianças e adolescentes.

Os analistas já formados pelo ILAP que estiverem interessados na formação em crianças e adolescentes podem fazer os seminários específicos e realizar as duas supervisões para, ao final dos mesmos, poderem optar pelo reconhecimento da IPA como Analista de Crianças e Adolescentes.

Finalmente, os analistas em formação podem optar por uma destas três opções:

1) Fazer a formação de adultos.
2) Fazer a formação de adultos e frequentar seminários da formação integrada de forma opcional.
3) Fazer a formação integrada e obter a dupla titulação: Psicanalista Geral e Psicanalista de Crianças e Adolescentes, se o colega assim o desejar.

Produções escritas

O analista em formação deve apresentar quatro produções escritas durante os seminários, uma por ano. Ele pode escolher, dentre os grupos de seminários que cursa a cada ano, um para realizar o trabalho, e o tema deve ser restrito ao que foi tratado durante esse seminário e será avaliado pelo(s) professor(es) em uma das reuniões do mesmo, quando será apresentado ao grupo. As duas produções escritas, dos dois primeiros anos, podem ou não conter material de análise, nos dois últimos é obrigatório incluir, à reflexão teórica, material clínico. Essas produções escritas buscam preparar o analista em formação, treinando-o para a escrita e o pensamento psicanalítico que articula teoria e clínica, para chegar com mais desenvoltura à realização dos já mencionados relatórios de supervisão e do trabalho final.

O trabalho final deve ser apresentado uma vez que o analista em formação conclua o plano de seminários, com as produções escritas previstas por ano de formação e ambas as supervisões e o relatório de supervisão aprovados. Ele pode ser construído a partir de dois modelos, à sua escolha:

-MODELO I – Estudo de caso
-MODELO II – Teórico clínico

Diretrizes para o Trabalho Final da Formação da ILAP

O objetivo é avaliar se o analista, ao concluir sua formação na ILAP, está apto a pensar clinicamente de forma profunda e articulada com a teoria psicanalítica e a conduzir um processo analítico. O trabalho final deve relatar uma experiência inconsciente em transferência.

O analista em formação pode optar entre duas orientações possíveis para a realização de seu trabalho final da formação.

• Estudo de caso

O trabalho se baseia na comunicação de uma experiência de análise de um paciente em alta frequência. Deve conter o relato do diálogo e do que aconteceu nas sessões e a observação microscópica do analista sobre toda a dinâmica que se desenvolveu no campo analítico.

Deve mostrar como se configura o movimento transferencial-contratransferencial, a ação das defesas e os mecanismos em jogo, os níveis de organização psíquica e sua variação durante o tratamento, ou mesmo no âmbito de uma sessão.

Espera-se alguma articulação teórica pertinente à clínica analítica apresentada e a explicitação das intervenções do analista e sua reflexão sobre elas.
O trabalho deve mostrar claramente a evolução, as mudanças estruturais, não apenas sintomáticas do paciente durante o processo e o trabalho analítico que efetivamente foi realizado.

Teórico-clínico

A partir da livre escolha de um tema pertinente ao universo psicanalítico, o analista deverá realizar um trabalho que desenvolva consistentemente o assunto e que, além disso, seja adequadamente expresso por meio de uma apresentação clínica. Esta deve ser realmente coerente com a exposição do tema. O trabalho deve construir uma verdadeira articulação entre a clínica e a teoria, em uma integração proporcionalmente equilibrada entre ambas as dimensões.

Deve partir de uma introdução, na qual se problematize o tema, que constituirá o fio condutor da obra, a ser retomado nas conclusões. Espera-se encontrar uma posição pessoal do autor em um movimento criativo em relação ao recorte do material clínico, bem como das ideias psicanalíticas trabalhadas.

 

Supervisões

Foi estabelecido um mínimo de duas (2) supervisões curriculares de material de análise, com duração de 80 horas cada, em um período de 2 anos cada supervisão, totalizando 160 horas entre as duas. Estas podem ser com um paciente adulto ou adolescente e devem ser realizadas com analistas supervisores com função didática da IPA. Ao final de cada supervisão, o supervisor deve aprová-la por meio de uma nota que é enviada e arquivada nos registros do ILAP e, além disso, em uma das duas supervisões, o analista em formação deverá apresentar a uma Comissão avaliadora um relatório escrito sobre o trabalho clínico realizado com o paciente.

Os pacientes atendidos pelos analistas em formação devem comparecer às sessões com uma frequência de três vezes por semana.

As supervisões podem ser iniciadas após a aprovação do primeiro semestre de seminários.

 

Casos analíticos supervisionados – Formação Crianças e Adolescentes

A) Dois casos supervisionados com menos de 20 anos em diferentes estágios de desenvolvimento (criança pequena, latência, adolescência) e, sempre que possível, de sexos diferentes.
B) Os tratamentos desses casos são supervisionados por um período de pelo menos um ano (40 horas) cada um.
Os casos serão atendidos três vezes por semana, levando em consideração também o ambiente familiar em que a criança e/ou o adolescente vivem.

Consideramos a possibilidade de a criança ou o adolescente comparecer duas vezes por semana, se possível, e os pais ou a família completarem o processo de análise uma vez por semana. Os supervisores devem ser analistas didatas de crianças e adolescentes reconhecidos pela IPA.

 

Diretrizes para o Relatório de Supervisão ou Sessão Comentada

Neste relatório de supervisão, o analista em formação deve mostrar o trabalho clínico com seu analisando, suas vicissitudes, o essencial da transferência e da contratransferência e toda a singularidade do campo analítico, incluindo como compreendeu o que foi vivido tanto no processo de análise com seu paciente quanto no processo de supervisão.

O relatório deve conter uma visão psicanalítica do paciente e da evolução do diálogo analítico até o momento da realização do trabalho. Solicita-se a inclusão de uma sessão dialogada, com os comentários do analista. Espera-se poder avaliar o desenvolvimento do analista trabalhando com seu analisando (paciente curricular) e os relatos dialogados de uma ou outra sessão são imprescindíveis.
Deve abordar o motivo da demanda, aspectos atuais e históricos e outros que o autor considere pertinentes. E deve conter as qualidades do vínculo, a dinâmica transferencial, as singularidades e a evolução do processo de análise. Também pode comentar sobre a interferência da supervisão, tal como identificada pelo analista em formação.

É importante que apareça como seu paciente (analisando) pensa e dar uma ideia de como ele ( analista) trabalha clinicamente.

O trabalho não deve ser muito extenso, nem conter desenvolvimentos teóricos. É um relatório breve, mas que transmite, de forma espontânea, a qualidade da experiência clínica do analista em formação.
Não são propostas mais diretrizes para preservar a liberdade na escrita, respeitando o estilo do analista em suas reflexões e forma de transmissão.

Divulgação do ILAP

Atividades de divulgação

Podem ser gerais e locais. A virtualidade nos permite realizar Jornadas gerais nas quais participam todos os grupos do ILAP, desde a própria organização das mesmas. No entanto, também serão organizadas atividades de divulgação locais, atendendo às necessidades de cada grupo.

Jornadas do ILAP

A dinâmica de funcionamento das Jornadas baseia-se em exposições realizadas por analistas de reconhecida trajetória e na apresentação de trabalhos por analistas em formação locais e/ou graduados do ILAP. São realizados cursos para analistas em formação do ILAP, bem como cursos e conferências de divulgação abertos à participação de estudantes de universidades locais e outros interessados. Também realizamos, geralmente em um ambiente universitário, supervisões em grupo de trabalho clínico com psicoterapeutas locais que solicitam essa atividade.

Fará parte das Jornadas pelo menos uma atividade interdisciplinar na qual a psicanálise dialoga com outras disciplinas, principalmente com a arte (literatura, cinema, teatro, expressões plásticas, etc.), mas também com a filosofia, o direito, a história, etc.

Durante a pandemia da Covid-19, as jornadas ocorreram apenas de forma virtual, mas a partir de 2023 retomamos algumas atividades presenciais de divulgação.