Bebés, crianças e adolescentes em tempos híbridos: encerrou-se a 43ª Interregional FEPAL

Foram abordados os desafios atuais na constituição da subjetividade e no desenvolvimento psíquico das novas gerações.

Lima, Peru foi a sede do 43º Encontro Inter-regional de Infância e Adolescência FEPAL, realizado nos dias 14 e 15 de novembro de 2025. Sob o lema «Bebés, crianças e adolescentes em tempos híbridos», o evento reuniu psicanalistas e profissionais de diversas disciplinas para refletir sobre os desafios atuais na constituição da subjetividade e no desenvolvimento psíquico das novas gerações.

O encontro focou no paradoxo da presencialidade e da virtualidade coexistentes, na imediatice da informação e da experiência, e seus efeitos na criação e no desenvolvimento. Foi abordado como a hiperconectividade, a urgência e o vazio mental contemporâneo interpelam as formas tradicionais de processamento psíquico e as abordagens profissionais.

Eixos Temáticos e Mesas de Destaque

Os participantes geraram um diálogo interdisciplinar em torno de três eixos principais:

  • Angústia, vazio e ato: um olhar a partir da educação: Foi discutido o impacto da hiperconectividade nos processos de atenção e os desafios que isso representa para o trabalho docente e educativo.
  • Angústia, vazio e ato: um olhar a partir da saúde: O foco esteve nas abordagens interdisciplinares para atender as diferentes formas de atenção que as crianças demonstram hoje e para acompanhar a saúde de crianças e adolescentes, incluindo a sexual e reprodutiva.
  • Angústia, vazio e ato a partir das artes e da cultura: Foi explorado o potencial criativo da arte e da cultura como formas de resistência, processamento criativo das tensões e mobilização diante da incerteza.

O encontro contou com mesas de debate de alto nível, entre as quais se destacaram:

  • Mesa de Abertura: Psicanálise em Tempos de Mudança: Contou com as apresentações de María Pistani (“Explorando brechas e construindo pontes a partir da psicanálise”), Alicia Villanueva (“A clínica da angústia infantil em nosso mundo virtual”) e Yolanda Cubells (“O trabalho com os adultos na clínica infantil e juvenil: uma necessidade em tempos de fragilidade subjetiva”), coordenada por Cecilia de Rosas.
  • Tempos acelerados, subjetividades trans-humanas, escolas desajustadas: Foram apresentadas as reflexões de Analia Wald (Infâncias e adolescências em tempos de aceleração digital: a era da distração?), Jorge Catelli (Desafios do nosso tempo: da lousa mágica ao iPhone, do aparelho psíquico à subjetividade trans-humana) e León Trahtemberg (Não é déficit de atenção, é déficit de propósito escolar), coordenados por Carmen Rosa Zelaya.
  • Transitando realidades e virtualidades, entre a omnipresença e o vazio: Contou com a participação de María Jose Etienot (Funções parentais em crise: O insuportável da opacidade do filho na era digital), Bibiana de la Peña, Rocío Corcuera e Carmen Rosa Zelaya (Influencers, adolescência e cultura da imagem: o vazio mental contemporâneo).
  • Paradoxos da virtualidade: rachaduras, brechas e pontes: Foram explorados os desafios da era digital com Romano Peirano (Ainda estamos brincando? Subjetividade e brechas geracionais na era digital), Carolina Janto e Andrea Ugarte, e Leonardo Barbuy (O impacto do Déficit virtual e da performance demonstrativa), sob a coordenação de Paula Escribens.

O 43º Encontro Inter-regional FEPAL concluiu com sucesso, deixando valiosas reflexões e a urgência de continuar pensando em novas formas de acompanhar os sujeitos em desenvolvimento nestes tempos híbridos.

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