Plataforma FEPAL 2018-2020

Presidência da Comissão Diretiva

Aos Membros e Analistas em Formação da Federação Psicanalítica da América Latina – FEPAL,

Fui designada para assumir este compromisso, por voto secreto na reunião geral dos membros da Associação Psicanalítica do Uruguai, APU, convocada pelo Conselho Diretor para esta função, no mês de novembro de 2017.

Minha trajetória na APU, desempenhando diversas funções, tais como Presidente da Instituição, Diretora Científica, Diretora do Instituto por três períodos, assim como ter integrado a Comissão de Formação e Transmissão de Psicanálise da FEPAL na qualidade de coordenadora (2014 – 2017) da Comissão e no Comitê de Educação da IPA (2015-2017), me permitiu refletir e me aprofundar em relação às mudanças e problemas da Psicanálise atual e também naqueles relacionados à formação e transmissão da psicanálise nas diversas regiões da IPA e da FEPAL em sua diversidade e diferenças.

Entendemos que nossa tarefa como nova presidente deve apontar centralmente para a preparação do Congresso de 2020, mas que este deva ser o ponto de chegada de dois anos prévios de trabalho sustentado nas áreas da Comissão Diretiva.

É nosso interesse, continuar incrementando a comunicação e participação dos associados nas atividades e projetos das diferentes áreas de nossa Federação, com o objetivo de diminuir distâncias entre os membros e a direção, reforçando assim a participação direta e o sentido de pertencimento, de modo que seja um dos eixos que guie nosso caminho. É neste sentido que entendo que nosso trabalho deve ser construído em diálogo contínuo com todas as instituições e institutos e através destes com todos os membros da FEPAL, de modo que possamos manter um feedback que nos permita seguir conhecendo os interesses, inquietudes e problemas que a partir dos diferentes lugares interpelam os psicanalistas e as sociedades de nossa região latino-americana.

Todos sabemos que, neste breve discurso inaugural, antes de assumir a presidência, é tradição que o aspirante a novo presidente anuncie o tema do próximo congresso. Pensamos, como ponto de partida, uma mudança em deixar o assunto em suspenso.

A proposta foi que, imediatamente, após assumir, fosse conduzida fora conduzida uma breve pesquisa aos presidentes, diretores científicos, diretores de institutos e ao OCAL, para que em diálogo com os associados e os analistas em formação, mandassem as ideias que eles considerassem de interesse para o próximo congresso. Esperamos, portanto, que as ideias emergentes que vão gerar o tema, surjam de dentro das sociedades, de modo que possam ser trabalhados pelas Comissão Científica e Comissão Diretiva, para ser transformado na convocação do Congresso.

Entre as inovações da atual direção destacamos os Encontros Inter-regionais de adultos e o Encontro Interfederativo, este último com a ideia de aumentar o intercâmbio científico entre as três regiões do IPA. Ambos são aspectos que visamos manter. Em relação às Inter-regionais achamos que a eleição dos temas a abordar envolva interesses sociais, culturais e de saúde do pais organizador de modo de estimular uma maior participação dos diferentes setores da sociedade.

O trabalho na e com a Universidade é um dos aspectos que consideramos essenciais para continuar desenvolvendo em nossa direção. Em nossas Sociedades e Institutos, cada vez mais candidatos estão ocupando cargos de ensino na universidade: Faculdades de Psicologia, públicas e privadas, Clínicas Psiquiátricas de crianças e adultos, Faculdades de Medicina, Humanas, Ciências Sociais e muitas outras áreas que envolvem trabalho com interdisciplinaridade. Entendemos que este trabalho extramuros dos analistas, na comunidade e na cultura é o que tem favorecido, nos últimos anos, o maior interesse na formação psicanalítica com o consequente aumento de ingressos nos institutos em várias das nossas sociedades. É por esta razão que, em todas as atividades que desenvolvemos, nas inter-regionais, conferências e simpósios da Fepal, congressos didáticos e outros, o intercâmbio com as universidades e a interdisciplinaridade deve ser um norte que guie nossas políticas científicas.

Outro dos eixos que consideramos essencial é aumentar a participação dos candidatos em todas as tarefas que desenvolvemos. A anterior Comissão de Formação e Transmissão da Psicanálise reafirmou a participação de um candidato no painel inaugural do anteriormente chamado Pré-congresso e o incluiu, posteriormente, dentro do congresso da FEPAL. Em seguida foi renomeado como Congresso Didático. Uma das justificativas para essa mudança foi centrada em que Pré-Congresso coincidia com o Congresso da OCAL, limitando a participação do candidatos, e, outra foi que, ao realizar-se durante os dias do congresso facilita a participação de membros que só frequentavam ao mesmo. Essas mudanças, como se sabe, foram votadas e aprovadas na Assembleia Geral de delegados em Cartagena 2016.

Coordenação Científica

Acredito que a Coordenação Científica deve ter uma função articuladora e manter um diálogo permanente com todas as áreas da direção nos vários projetos de cada lugar onde se realizam, respeitando a autonomia e a criatividade de cada um. Além do estipulado nos Estatutos (Coordenação e organização do congresso da Fepal, Coordenação dos Encontros dos Institutos, dos Congressos didáticos, das interregionais, dos Simpósios, dos Encontros Clínicos da Fepal e IPA; receber de organizações membros os programas das atividades científicas consideradas de interesse para a FEPAL), queremos manter um contato permanente com a Diretoria de Crianças e Adolescentes, Publicações e da Diretoria de Comunidade e Cultura para facilitar a divulgação e comunicação das diferentes atividades (por exemplo Cowap e Working Parties) assim como aprofundar os esforços para promover a investigação, tarefa que a Comissão de Investigação está desenvolvendo, sendo chamado de “Anteprojeto de rede de trabalhos na e para a comunidade da FEPAL” uma das tarefas em andamento.

Quanto à sua forma, a Coordenação Científica poderá formar uma comissão que, na minha opinião, é aberto de duas formas: a) uma “equipe” com membros das três regiões da Fepal que também inclua a participação de candidatos, e b) outra “equipe” ou comissão local, que também inclua analistas em formação e trabalhe na APU, em coordenação com a direção científica, já que Montevidéu sediará o próximo congresso

Crianças e Adolescentes

Acordo com os dois eixos levantados na direção anterior: a) o entrecruzamento interdisciplinar e b) a necessidade de integrar e aprofundar o diálogo psicanalítica com várias partes interessadas, incluindo além da nossa disciplina. Penso que estes dois eixos atravessam as mais diversas atividades implantadas nesta área: Inter-regionais, Simpósios, Grupos de Estudo, Alo BB, Diários de la calle, propostas de Grupos de investigação ligando condições de subjetivação com o contextos socioculturais. Apoiamos a proposta feita a partir da coordenação de N e A, para trabalhar com políticas públicas que considerem a população de N e A em situação de pobreza e marginalização, para pensar e trabalhar os efeitos que essa exclusão tem sobre os processos de estruturação psíquica e subjetivação de nossas crianças e adolescentes. Para isso se formará um grupo integrado por membros e candidatos das três regiões e se trabalhará com outras áreas da direção: Comunidade e Cultura, Científica, Publicações, com ponto de chegada a realização de uma das inter-regionais.

Capitalizar também a experiência do trabalho realizado anteriormente com as diferentes áreas e promover a formação em crianças e adolescentes, naquelas sociedades que ainda não o têm instrumentalizado, é algo a levar em conta.

Comunidade e Cultura

Considero esta área como “área de travessia” entre as diferentes atividades científicas da FEPAL, universidade, cultura, sociedade. Promoveremos e manteremos um diálogo permanente, pensando as atividades em relação com as questões que interrogam a sociedade, a cultura e a universidade em cada região e sociedade psicanalítica. Realizar encontros nas regiões em que se estão criando novos grupos pode ser algo a se organizar com o ILAP.

O tema da imigração já não é apenas um problemas da IPA na Europa como também está chegando ao sul de nosso continente no dia a dia, começando a provocar mudanças em nossas sociedades. Imigração venezuelana, cubana, dominicana, boliviana, etc. que chega em busca de trabalho a nossos países, feito que vai tendo impactos de natureza diferente, de aceitação ou rejeição, mas cujos efeitos a médio prazo ainda não são totalmente visíveis. Outras realidades sociais nos convocam, o problema da negritude, não somente no Brasil, e talvez (ou talvez) o da população indígena nos países do Pacífico e no norte e no sul de nosso continente. As sociedades de Brasil – FEBRAPSI e a Sociedade Portuguesa realizaram recentemente o IV Congresso de Língua Portuguesa, em Cabo Verde, na África, cujo tema foi “Rotas da escravidão”.

Poderíamos perguntar qual porcentagem da população negra e indígena integra nossas sociedades e institutos e tem acesso a nossos consultórios. Consideramos que é algo a trabalhar em nossa comunidade na hora de planejar as atividades científicas?

Publicações

Entendo que esta Comissão é central para cada uma das áreas na hora de difundir suas atividades. E também a de estimular e sobretudo familiarizar o contato de membros e candidatos da FEPAL com o “uso” das diferentes vias de acesso que Publicações nos oferece, tanto para receber informação quanto para enviá-la. Queremos manter o que foi realizado e continuar promovendo a atualização e renovação das redes sociais, a difusão de vídeos, a atualização da página web com tradução para o português, do canal TV, do uso de Facebook e Instagram, a Biblioteca virtual – Bivipsi, (que conta com mais de 6.200 textos) e seus acordos com outras sociedades não pertencentes a IPA nem a FEPAL.

Em relação à difusão do pensamento psicanalítico latino-americano que compreende a Revista Calibán, sua publicação oficial, buscaremos que a mesma possa ajustar-se a seu orçamento fixado (US 38.000) e também manter a aspiração a que possa seguir sendo traduzida para o inglês, de modo a permitir o acesso às diferentes regiões da IPA.

Tesouraria

Embora tenhamos que esperar o informe da Tesouraria quando do Congresso da FEPAL em Lima para saber os recursos com que contaremos para o desenvolvimento de nossas atividades, me parece importante considerar, como dissemos antes, a proposta da atual diretoria no sentido que, na medida do possível, as atividades científicas se autofinanciem. Isso também implica considerar a importância de pensar que toda atividade proposta a partir de cada área desenvolva o máximo de criatividade a fim de promover e estimular a comunidade socio-cultural-universitária, de modo a se obter o máximo de participação possível. Os rendimentos da FEPAL provêm fundamentalmente das cotas das sociedades e do Congresso. É importante saber que as interregionais não dão renda, então teríamos que reconsiderar a diminuição de sua freqüência versus a qualidade das mesmas, já que multiplicar esse tipo de atividades leva também à menor participação de membros e candidatos, em primeiro lugar, por razões econômicas. Existem situações de exceção que envolvem a economia da FEPAL, como a redução da cota da AMPIEP devido ao terremoto que atingiu a sede e seus muitos escritórios, e a situação econômica atual das sociedades venezuelana e de outras sociedades.

FEPAL teve um crescimento muito grande nos últimos anos, o que tornou a administração muito complexa. Daremos ênfase especial à organização e profissionalização da FEPAL nesses aspectos.

É importante avaliar os valores alocados aos projetos em andamento em relação à situação financeira da FEPAL de forma realista, ou seja, manter compromissos e projetos ajustados à nossa realidade econômica atual. Nesta linha, a despesa da Caliban foi ajustada para o valor de US$ 38.000 por ano.

Planejamos acompanhar a proposta que está em andamento sobre a possibilidade de cada sociedade assinar a revista, de modo a evitar ao máximo as edições supranumerárias. Também nos perguntamos sobre a possibilidade de promover sua distribuição nas livrarias.

Em relação à publicação digital Psychoanalysis Today, publicação digital conjunta com as demais federações e a IPA, queremos manter esse compromisso, mas também estudar a viabilidade da contribuição feita atualmente.

Conselho Profissional

Embora os estatutos definam que a função do Conselho Profissional é oferecer orientação às associações ou membros que estão com dificuldades profissionais ou em conflitos internos, a anterior direção implantou outro tipo de atividades como a criação de Grupos quinzenais de supervisão por Skype, e a elaboração de uma lista de analistas que trabalham em outras instituições que não a FEPAL (Hospitais, Universidades, Ministérios). Colaborou-se com as associações venezuelanas e com os analistas emigrados e apresentou-se uma proposta de revisão de estatutos.

Entendo que tenhamos que trabalhar sobre essa ampliação das funções do C. Profissional, pois leva à modificação dos Estatutos. Por outro lado, consideramos que o fato do CP ter elaborado uma lista de analistas da FEPAL que trabalham em Hospitais e Universidades, pode ser de grande ajuda na hora de convidar esses profissionais para participar das atividades organizadas por nossa Federação. Pedimos também que uma das funções do CP seja participar da elaboração de um Código de ética da FEPAL.

Diretor da Sede

Pensamos que sobre a direção da Sede, teríamos que especificar mais claramente suas funções. O diretor da Sede é o responsável pela conta (el apoderado de lá quenta) da FEPAL e responsável perante autoridades oficiais e financeiras do estado uruguaio, por isso nos parece imprescindível que sejam informados os gastos, antes que sejam aprovados e executados. Neste sentido, cumpriremos com todas as pautas que as normativas exigem para a apresentação das informações financeiras (lós estados financeiros) da Federação que são a base da sustentabilidade econômica da mesma.

ILAP

Será de nosso interesse apoiar a criação de novos grupos na região. Respaldaremos a política de convocatórias das distintas sociedades e Institutos da FEPAL a participar nas tarefas das três áreas do tripé ( trípode) como vem fazendo o ILAP.

IPA

É nosso interesse manter o diálogo IPA – Fepal, a fim de construir pontes em áreas de interesse comum, tais como a integração e participação dos analistas em formação através OCAL e IPSO em atividades científicas das duas instituições, tanto no Congresso como nos congressos didáticos da FEPAL.

Em relação às modificações do Modelo Eitingon, para apoiar o que foi votado no Congresso da IPA de Buenos Aires em julho de 2017.

Entendemos que é um interesse comum trabalhar com universidades e interdisciplinaridade, bem como colaborar no “Projeto IPA e Comunidade”, dentro do qual está atualmente em curso chamado o “Comitê da IPA e organizações humanitárias” que, em seu convite às sociedades FEPAL, reconhece a longa tradição de nossas sociedades em trabalhar com a comunidade. Acreditamos que, em todos esses aspectos, grande parte do futuro da Psicanálise é lançado.

Reforma dos Estatutos – Para um melhor funcionamento da Fepal, consideramos necessário atualizar e reformar os Estatutos, trabalho que está sendo realizado pela atual Comissão.

Finalmente, gostaríamos de afirmar que é para nós de grande interesse que os suplentes participem junto aos titulares das tarefas a serem realizadas ao longo do período, de modo a enriquecer o intercâmbio de ideias e projetos, políticas e procedimentos científicos que marcam nos próximos dois anos os destinos da nossa Federação.

Agradeço a Roberto Scerpella, Adela Escardó e todos os membros atuais de gestão, consultoria, experiência e tempo deles que nos deram em momentos diferentes, bem como o convite para participar como ouvinte na última reunião dos Presidentes, momentos e espaços que nos deixam de portas abertas para continuarmos a percorrer novos caminhos.

Presidente de FEPAL
Dra. María Cristina Fulco

Secretário Geral
Mag. Abel Fernández

Sociedad Iberoaméricana de Salud Mental en Internet

Código de Ética de SISMI

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