Palavras do Dr. Roberto Scerpella na cerimônia de Encerramento do 50° Congresso IPA Intimidade

Simultaneamente, ao receber o convite para participar no dia de hoje, recebíamos também as desculpas do Dr. Bolognini por ter nos dado apenas cinco minutos para expressar as nossas ideias. O primeiro que veio a minha cabeça foi a canção Amanda do poeta chileno Víctor Jara, vítima da intolerância e da tirania de mentes conviccionais da nossa região. Para um latino-americano, como diz o poeta, “a vida é eterna em cinco minutos”. Na nossa prática diária como psicanalistas também participamos desta experiência à margem da temporalidade.

Muitas vezes, depois de trabalhar horas e horas, emergem cinco minutos capazes de esclarecer experiências de Intimidade muito profundas e complexas, tanto em nós como nos nossos pacientes. É obrigação das Instituições Psicanalíticas zelar para que estes breves instantes de eternidade continuem sendo possíveis na experiência humana. Este presente que Sigmund Freud deu à civilização, a escritura do Inconsciente e o círculo da Mudança Psíquica, devemos cuidá-lo com a lógica do movimento perpétuo imprimido por ele. Criar conhecimento deve ser a missão das nossas instituições.

A minha relação com a IPA passou por várias etapas. Enquanto fui um psicanalista de tempo integral envolvido com a vida institucional da minha Sociedade, na verdade para mim não tinha um significado apreciável e distinguível. Suponho que esta realidade não é desconhecida para muitos colegas da região, constituindo para os dirigentes uma tarefa pendente a ser enfrentada e resolvida. Isto começou a mudar quando fui Diretor de Infância e Adolescência da Junta dirigida pelo Dr. Leopold Nosek e mudou ainda mais quando assumi a diretoria da Fepal. A partir de então e, sobretudo, quando em conjunção com as outras Federações coordenávamos e dialogávamos sobre projetos de trabalho concretos, como por exemplo o e-Journal (Psychoanalysis Today) e os Working Parties, a minha percepção do trabalho com a IPA teve um sentido qualitativamente diferente.

Quero salientar que nestes momentos unificamos esforços em um ambiente de respeito, colaboração e prazer pelo trabalho desenvolvido entre os dirigentes das Federações e da IPA. Penso que essa é a via através da qual a relação com a IPA terá um sentido pleno, isto é, criando espaços onde a sua presença e iniciativa seja viável através do trabalho em conjunto, e bem melhor se esse trabalho está encaminhado para a criação do conhecimento científico. Por exemplo, na Fepal organizamos um encontro Clínico Inter federativo que será realizado na Sociedade de São Paulo, no mês de março de 2018. Penso que o incentivo deste tipo de atividades por parte da IPA envolvendo as Federações possibilitaria o crescimento e enriquecimento científico e institucional, além de promover a integração pessoal entre os colegas de múltiplas procedências impregnando, em todos nós, um significado do que ela representa.

Finalmente, e esta é uma reflexão que quero compartilhar com a Dra. Virginia Ungar, considero que é tempo de ir pensando que a Fepal intervenha diretamente como organismo consultor nas dificuldades e conflitos que podem surgir em qualquer de nossas Sociedades. Tenho a convicção de que estamos bem preparados para isso, com a inegável vantagem de compartilhar a idiossincrasia e a possibilidade de uma intervenção rápida e oportuna. Durante este tempo que estamos trabalhando surgiram situações em que a participação dos nossos diretores foi essencial para vitalizar experiências que estavam como paralisadas. Acredito que as outras Federações poderão coincidir na necessidade de descentralizar esta tarefa que, por razões de tradição, foi sempre responsabilidade exclusiva da IPA. Teremos tempo, mais de cinco minutos, com certeza, para conversar.

A nossa atual responsabilidade institucional é continuar trabalhando com uma perspectiva de uma psicanálise aberta, dialogante e, sem fanatismo, cuidar a nossa singular maneira de entender a mudança psíquica capaz de criar esses mágicos cinco minutos de eternidade, em que paciente e analista se modificam irredutivelmente.

Aprecio e agradeço ao Dr. Stefano Bolognini pela sua abertura, sua franqueza e lucidez com a que dirigiu a IPA durantes estes anos, e ofereço à Dra. Virginia Ungar tudo o que a Fepal pode dar para coadjuvar no sucesso da sua prometedora gestão.

Obrigado,
Roberto Scerpella Robinson

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