Os Adolescentes na Pandemia

SEMEAR mais uma vez convida a todos para pensar sobre uma temática diretamente proposta pela Comissão de Infância e Adolescência FEPAL. Nossa atenção esta semana será para as questões dos adolescentes neste momento de quarentena.

Os Adolescentes na Pandemia

por Marcela Ouro Preto*

Membro Comissão Infância e Adolescencia FEPAL

Vivemos um momento único, que exige adaptar a muitas mudanças repentinamente. Existe um inimigo lá fora e temos que ficar protegidos em casa e, assim, também proteger aos outros.

Assimilando o que se passa, priorizamos as urgências, pensamos nos idosos, mais vulneráveis, nos adultos, se reorganizando para manter seus trabalhos e sobreviver financeiramente, e nas crianças, estudando em casa, que não têm autonomia para isso.

Os adolescentes, por sua vez, aparentemente resistentes ao Coronavírus, já têm maturidade para dar conta de si em casa e não trabalham e, portanto, suas queixas podem passar despercebidas no caos atual, há pouco espaço para o seu sofrimento. Mas, o que se passa na mente deles? Como estão suportando ir contra o natural, nessa idade, que é a sociabilização, a procura do grupo, que é estruturante nessa faixa etária?

Os encontros virtuais ajudam, mas não suprem totalmente. Em contrapartida, têm que estar 24 horas por dia, por tempo indeterminado, com a família, o que pode ser uma boa experiência, mas nem sempre as relações são fáceis e os conflitos podem ser intensos. Cabe, ainda, aos pais, convencê-los de que não podem sair.

É dito aos adolescentes que são praticamente imunes, mas que precisam ficar isolados para proteger os outros, uma vez que podem ser transmissores assintomáticos do vírus. Podemos pensar quantas fantasias podem decorrer disso: posso carregar, em mim, algo mortal, que nem sei se tenho, mas que pode matar pessoas muito queridas.

O que será que eles estão pensando sobre isso? Como lidam com o que sentem estar perdendo? Quantas baladas, shows, encontros não acontecerão? Pequenos lutos vão se somando e não encontram espaço e nem relevância para serem ouvidos, mas pode ser muito sofrido.

O futuro também parece ameaçado. Na adolescência, transição da criança para o adulto, surgem muitas dúvidas sobre o que construirão, quais escolhas fazer. Agora, escutamos notícias sombrias, não se sabe o que irá acontecer ou quando, fala-se que o mundo vai mudar, que a economia vai se desfazer, como ter esperança nesse cenário?

Como lidar com a angústia do adolescente estando todos saturados com tantos problemas? Temos que suportar e esperar, mas é importante considerarmos que, embora mais resistentes ao vírus, os adolescentes vivem uma fase lábil e de sofrimento psíquico e a compreensão pode ser algo extremamente valioso. Pode trazer grande alívio expressarmos que o isolamento é necessário, mas que entendemos, sinceramente, que não é fácil para eles.

* Membro Efetivo na SBPRJ/ Analista de Adultos, Crianças e Adolescentes.

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