MATERNIDADE IMPOSSÍVEL?

Olá a todos!! Nesta publicação o Semear apresenta a escrita de Ana Brenda G Solorzano, uma colega do México que nos propôs algumas ideias sobre sentimentos e mudanças trazidas pela maternidade. Ana Brenda foca seu olhar na nova mãe, costurando suas ideias com alguns, bastante conhecidos, psicanalistas. Esperamos conversar com você leitor, sobre suas ideias após a leitura do texto de Ana. Deixe seu comentário para seguirmos semeando…

MATERNIDADE IMPOSSÍVEL?

Por Ana Brenda González Solorzano

Analista em Formação

Associação Psicanalítica de Guadalajara

Não são poucos casais que recorrem a consulta depois da chegada de um filho. Este evento, crucial na vida de todos aqueles o experimentam e por isso assumem a parentalidade, é geralmente, um momento turbulento na vida de um casal. Embora ser capaz de acolher e cuidar da vida física e psíquica desse novo ser já não seja uma tarefa simples, implica ainda mudanças na dinâmica diária e um mergulho direto em experiências novas e intensas, os motivos e efeitos dessa turbulência passam por outros lados. Ouvi-los e discerni-los do choro premente do bebê torna-se tão imperativo quanto atender este último, pois neles a vida do casal é desempenhada tal como o bem-estar de cada um dos indivíduos que o compõem. Díade (vínculo) e subjetividade / estão sempre em influência e modificação recíproca. Assim, damos as boas-vindas a um coro de quatro vozes dentro da mesma experiência entrelaçada: o bebê, o casal, o pai-homem e a mãe-mulher. Em relação a esta última, serão minhas próximas linhas sem, por ela, fazer menos dessa interdependência e das dificuldades particulares dos demais envolvidos.

A clínica psicanalítica de todos os tempos e um crescente número de blogs e séries de televisão de nossos tempos tem se encarregado de tirar o estrito véu social  que caiu sobre a maternidade. O conto de fadas que costumava erguer a experiência mais maravilhosa da vida tornou-se um “reality” às vezes engraçado, às vezes simplesmente nojenta, dependendo da série escolhida. No final, a história se assemelha cada vez mais a dragões, feitiços e labirintos, onde majestosos jardins se cruzam com masmorras escuras. Contrastes fortes costumam ser difíceis de tolerar e entender.

Freud escreveu em detalhes sobre a qualidade incessante do impulso em direção à sua satisfação, razão pela qual considerava impossível educar e também psicanalisar. O que é que procura satisfazer a pulsão, se não um desejo? Por que então não é tudo um jardim? Seria tão simples quanto dizer que você não deseja ser mãe? Essa lógica simplista e culposa eleva em grande parte o silêncio que muitas mulheres escolhem diante do desconforto de habitar a multifacética maternidade. Multifacetado como o próprio sujeito em quem idealmente – o desejo puxa para um único e irrevogável lado. Assim, o conflito onipresente que Freud também nos anunciou não se esconde na maternidade: o desejo materno [de reintegrar seu produto] no qual Lacan se aprofundou, presente em distintas nuances de dedicação de entrega desde os cuidados da criança, empurra junto com o eco das reivindicações por essa liberdade e autonomia (individuação) que anteriormente deve ter sido conquistada.

Assim, os “empurrões” podem começar a ser entendidas como intercambiáveis, coexistentes e sinais de saudável economia libidinal. A ambivalência torna-se, assim, a moeda atual a ser tolerada e esse mal-estar na maternidade, o mapa com o qual se segue caminhando. A ausência de tal desconforto, a propensão à subjugação muitas vezes revestida de lactação prolongada e coleitos* infinitos, revela a ausência de um sujeito que finalmente reinvindicaria autonomia sobre seu corpo e seu pensamento. Alí, o desejo materno encarnou-se em um dragão feroz que lança fogo através das mandíbulas em defesa de uma liberdade que não sabe declinou há muito tempo, e tomou as rédeas para os mais escuros calabouços, desde suas repercussões para a própria mãe e o casal, mas especialmente para a criança.  Alí bem viria um desvio, um giro neste labirinto em direção ao consultório do psicanalista.

* prática de as crianças dormirem na cama com seus pais.

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