IPA in Education (first prize): María del Carmen Míguez (SPC)

1. Poderia nos contar um pouco sobre o projeto?

Assunto Precoce: Guia para Pais surgiu como uma preocupação pessoal em 1997. Nesse ano fui convidada a escrever uma coluna semanal no Jornal “El Nacional” sobre temas de educação, infância e adolescência com um enfoque psicanalítico. Esta coluna-guia foi publicada até 2010.

 Já nessa época, a Venezuela vivia um processo de mudança profunda no Estado e nas instituições públicas que atingia diretamente a dinâmica familiar e emocional dos venezuelanos. Entretanto, ainda não sabíamos o quão profunda poderia vir a se tornar a crise social. A crise dos últimos 20 anos na Venezuela tem deixado uma marca profunda nas famílias, na infância e adolescência venezuelana. O trabalho que eu mantinha com Assunto Precoce nas redes sociais e em oficinas eventuais nos últimos anos fez um giro qualitativo a partir de 2018, no sentido de que adquiriu um enfoque no humanitário. Agora nos definimos como um Guia Urgente.

A migração massiva de venezuelanos quebrou a unidade familiar básica; a escassez de alimentos e de medicamentos, a crise na educação formal por falta de recursos, que vem afetando setores das populações humildes, assim como, de uma maneira importante, setores da classe média, tornou necessária uma abordagem comunitária que ofereça ferramentas à população afetada para ajudá-las a compreender, processar e dar respostas emocionais adequadas a seus problemas mais urgentes.

Neste sentido, Assunto Precoce: Guia Urgente para Pais propõe:

1.- Organizar encontros com pais, docentes e adolescentes em diferentes espaços comunitários (Encontros Tu a Tu) sobre os temas de migração, ruptura do núcleo familiar primário, luto por perdas, separação e diminuição da qualidade de vida, criatividade e individuação em tempos de crises. Educação de crianças e adolescentes submetidos a ambientes de conflito social, integração e participação comunitária, dando ênfase na perspectiva psicanalítica destes temas, para a criação de cidadania, que é uma maneira de entender a saúde mental e o crescimento pessoal.

A modalidade de trabalho e a dinâmica dos grupos será a de facilitar a expressão das preocupações, vivências e angústias dos participantes, ajudando a construir uma narrativa que possa ser compartilhada, pensada em conjunto e gerar alternativas (em andamento).

2.- Realizar uma Escola para Pais com frequência quinzenal, inspirada na experiência de Eva Rotenberg e no modelo do Dr. Garcia Badaracco de Grupos de Psicanálise Multifamiliar. Atualmente já iniciamos a Escola de Pais, que funciona na sede da Sociedade Psicanalítica de Caracas.

3.- Produzir e difundir o conteúdo gerado nas atividades e nas redes sociais através das contas que Assunto Precoce já possui, como um canal para chegar ao público de uma forma mais ampla.

2. Seu projeto está aberto aos analistas em formação?  Qual é a importância que você atribui a essa experiência para quem está em formação?

No começo, este projeto não foi pensado como uma atividade na qual pudessem participar analistas em formação. Entretanto, à medida que começou a funcionar, vimos a possibilidade de que os estudantes em formação em psicoterapia de crianças e adolescentes, que é promovido pela Sociedade Psicanalítica de Caracas, participassem dos encontros da Escola para Pais como observadores e observadores participantes. Esta experiência está por ser iniciada com o grupo que começará a formação proximamente.

3. É muito difícil implementar projetos em qualquer instituição. Como conseguiu realizar este trabalho na sua sociedade?

O projeto Assunto Precoce nasceu como uma atividade pessoal, independente. Neste novo projeto, que contempla abordar prioritariamente o sofrimento psíquico que a crise atual gerou na população e no interior das famílias, a Sociedade Psicanalítica de Caracas, através de seu conselho diretor, tem apoiado a Escola para Pais e toda a iniciativa do projeto. Ao mesmo tempo, muitos colegas tem concordado em realizar atividades comunitárias desde a perspectiva psicanalítica.

4. As instituições psicanalíticas dão o apoio e o reconhecimento necessário?

Sim. Tenho recebido apoio não apenas da IPA, através do prêmio IPA and the Community na área de Educação, mas também de minha própria sociedade, a SPC, e de alguns membros próximos da ASOVEP – a outra Associação pertencente à IPA que funciona no meu país.  Também tenho recebido apoio – ele é especial para mim –  de todos aqueles psicanalistas venezuelanos que, por diversas razões, tiveram que emigrar e que se encontram fora da Venezuela, mas que mantém seu olhar e seus corações no país e estão sempre dispostos a ajudar, desde suas cidades de acolhida.

5. Na sua opinião, o que seria importante para a criação de novos projetos e para a continuidade dos que estão em curso?

A sensibilidade e interesse do psicanalista pelos fenômenos sociais e sua incidência na dinâmica psíquica do indivíduo e da coletividade é fundamental. O sofrimento e os conflitos parentais e familiares não podem ser abordados sempre no consultório do psicanalista de maneira clássica. Neste projeto, desenvolvo particularmente meu interesse pelos temas familiares e a educação de crianças e adolescentes inspiradas nas experiências fora do consultório por parte de analistas tão importantes como Françoise Dolto e D. W. Winnicott.

Por último, o financiamento e apoio monetário aos projetos comunitários é indispensável, já que supõe um esquema de trabalho muito diferente daquele da consulta particular.

6. Você acredita, que o prêmio IPA dará mais visibilidade a este trabalho? Qual são suas expectativas de mudança, depois de receber o prêmio?

O prêmio da IPA destacou meu projeto de uma forma importante, visibilizou-o entre as nossas organizações e, ainda que a ajuda monetária que o projeto recebeu seja limitada, permitiu-me investir muito mais tempo produtivo nele do que lhe vinha dedicando. Esta visibilidade do projeto me permitiu conectá-lo com novos espaços de trabalho que, espero, irão enriquecendo-o.

Sociedad Iberoaméricana de Salud Mental en Internet

Código de Ética de SISMI

Federación Psicoanalítica de América Latina.
Está en conformidad con el Código de Ética de SISMI
Nº de Acreditación: 54079 | Fecha de Acreditación: 2 de Septiembre de 2011

SEDE PERMANENTE

LUIS B. CAVIA 2640 APTO. 603
MONTEVIDEO 11300, URUGUAY
INFO@FEPAL.ORG
TEL. / FAX: (598 2) 707 5026
WhatsApp: +598 92 19 19 99

Leia Mais
La fe en el NOMBRE – Una lectura psicoanalítica de las creencias
X