Entrevista com Rómulo Lander

Capa da edição espanhola do livro “Semíramis da Babilônia”, escrito por Alejandro Núñez Alonso em 1920.

Rómulo Lander é médico psicanalista dedicado à prática da psicanálise. Pertence à Sociedade Psicanalítica de Caracas. É membro ativo da Associação Internacional de Psicanálise [IPA] e da Federação Psicanalítica da América Latina [FEPAL]. Psiquiatra formado na UCV em 1967 e psiquiatra infantil graduado na Harvard Univerity em 1970. Formado como psicanalista na Associação Venezuelana de Psicanálise. Exerce funções de ensino e supervisão clínica em várias pós graduações universitárias a nível nacional, latino-americano e mundial. Publicou mais de cento e cinquenta artigos psicanalíticos em revistas nacionais e internacionais. Publicou três manuais educativos e doze livros. Atualmente exerce seu ofício na cidade de Caracas.

Entrevistado por Soledad Sosa

1- Qual é a relação entre literatura e psicanálise?

Considero prudente diferenciar dois aspectos: primeiro, a literatura e psicanálise e, segundo, a literatura e o psicanalista.

Literatura e Psicanálise: Freud foi um leitor incansável que usufruía da leitura. Utilizou os textos da tragédia grega e da literatura clássica para ilustrar suas nomeações e propostas psicanalíticas. Assim aparece a teoria do Narcisismo [termo derivado de Narciso], teoria do Édipo [termo derivado do Édipo Rei], a teoria da Libido [termo derivado do Amor]. Assim aparece a doutrina da escuta psicanalítica, conceito derivado dos ensinamentos sobre a escuta de Pitágoras de Samos.

A literatura e o psicanalista: Hoje em dia além dos textos literários existem os textos em filmes. Da minha parte, além dos livros eu gosto muito do cinema. Considero-o a sétima arte. Há muitos anos participo em fóruns de cinema psicanalíticos, aplicando idéias psicanalíticas à narrativa do filme em particular. Também é uma forma de promover a psicanálise no meio cultural. É claro que isso não é psicanálise. Por uma razão, ali não existe o trabalho da transferência. Portanto se trata de psicanálise aplicada.

2- Como a literatura de ficção influencia seu trabalho como psicanalista?

Eu leio muito. Um livro atrás do outro. A leitura de ficção me dá muita tranquilidade. Assim como leio, escrevo, para mim, muito do que penso. O excesso de leitura é um problema para os que vivem comigo. Porque estou muito ausente. Estou ausente em uma viagem permanente a qual me leva a leitura da literatura de ficção. Ontem, domingo, estive seis horas em visita com Semíramis da Babilônia no ano 1800 antes de Cristo, livro escrito por Alejandro Núñez Alonso em 1920. Semíramis foi uma mulher extraordinária. Engrandeceu a Babilônia e deixou a maravilha dos Jardins Suspensos. Logo destruídos por Alexande, o Grande, da Macedônia, no ano 350 antes de Cristo. Afortunadamente para minha esposa, posso compartir com ela a experiência extraordinária de ver cinema. Ambos somos muito cinéfilos. Dizemos que somos profissionais da poltrona.

Meu trabalho como psicanalista é o trabalho do inconsciente. Escutar e escutar, para entender o que está além do que se diz. A narrativa consciente do analisando esconde nas entrelinhas o desejo inconsciente. Encontrá-lo e mostrá-lo, esse é meu trabalho. Para isso tem que se conhecer, através do estudo da teoria psicanalítica, o mistério de como trabalha a mente, quais são seus mecanismos. Isto é o que me permite fazer este trabalho de ser psicanalista. Não tem nada a ver com a literatura de ficção. A leitura da literatura de ficção é uma atividade recreativa muito saudável, como é o exercício físico e o alimentar-se saudavelmente. Freud o recomendava. Como também recomendava estudar a histórias das religiões e a história da filosofia. Eu acrescentaria estudar os avanços da ciência atual. Estes estudos anexos permite adquirir uma visão mais ampla do mundo. Algo bem-vindo para um psicanalista.

3- Que obra ou autor de literatura mais o inspirou a ser criativo em seu trabalho?

É necessário distinguir a criatividade, algo próprio dos artesãos, do ato criador, algo próprio do artista. O artista é quem cria algo novo. Algo que não existia antes. Freud é um artista. Klein, Bion, Lacan, são artistas, criadores de algo novo. Mas talvez, sejam artesãos. Melhor ainda, modificaram o que já existia e não são criadores de algo novo. Para mim são artistas geniais.

Da minha parte encontro que, no meu trabalho, quer dizer na prática da psicanálise, influíram meus professores. Um grande professor na medicina, outro grande professor na psiquiatria e meus três grandes professores psicanalistas, que me analisaram em um tempo ininterrupto de 18 anos.

Considero que devo incluir no que chamo meu trabalho: uma atividade psicanalítica que não é com os analisandos. Me refiro a quando escrevo experiências analíticas e quando escrevo o que penso da análise. Observei que o estilo da minha escrita está influenciada pelo autor literário que nesses meses estou lendo. Quando pego um autor, não o solto, até que tenha lido tudo o que este autor tenha escrito.     

Rlander39@gmail.com

www.romulolander.org/

tradução para o português: Tiago Mussi

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