Entrevista com Pablo Guerero Ibarguengoytua

Detalhe da capa de “Kafka à beira-mar”, de Haruki Murakami

Por Lorena Polo

Pablo Guerero é psicólogo pela Universidad Iberoamericana e candidato em formação na Sociedad Psicoanalítica de México (SPM).

         A escrita de histórias de ficção possibilita um encontro entre o mundo das palavras e o mundo do inconsciente, recebendo e dando forma às ideias, fantasias e angústias que surgem na vida cotidiana.

        Pablo Guerero disse que durante o terceiro ano de sua formação descobriu uma necessidade latente de escrever histórias, criando personagens de ficção, que contariam parte de seu mundo interno.

         Assim, sem pensar em um público definido, ele escreveu e publicou em um blog uma série de contos, com reflexões e questões existenciais, que falam das operações complexas da mente humana e da importância das ligações com o outro.

         1- Qual é a relação entre literatura e psicanálise?

         No meu caso, a escrita de contos e meu desenvolvimento criativo são parte de meu processo analítico. Escrevia minhas histórias e depois ia à minha análise para falar sobre isso. Acho que brincar com a fantasia é um meio de conter a angústia ao projetá-las e resolvê-las em um personagem que sente e pensa de uma determinada maneira. Quanto mais leituras um analista faz, mais lhe será permitido compartilhar o universo do autor, algo semelhante à função que um analista exerce quando está com um paciente: compartilhamos um mundo intersubjetivo com o outro, com as palavras do outro.

         A leitura e a escrita de histórias de ficção permitem simbolizar e, portanto, pensar sobre o que não foi tornado consciente e, para mim, quanto mais se pensa, mais oportunidades você tem para ser.

         2- Como a literatura de ficção influencia seu trabalho como psicanalista?

         A importância se dá porque, através da literatura, nós, analistas, temos a oportunidade da expressão de experiências subjetivas por meio da escrita. Por exemplo, em meu conto “Memórias de um estranho”, um homem viaja à Índia para encontrar um livro que, lhe disseram, falava de sua vida. No conto, o personagem vive uma série de situações extraordinárias ao percorrer milhares de quilômetros unicamente para encontrar um livro que contasse seu passado, presente e futuro. Contudo, a história tem uma reviravolta quando mostra que não é preciso ir tão longe para encontrar a si mesmo, basta aprender a sonhar. E que um paciente sonhe faz parte da função analítica.

         3- Como a literatura de ficção influi em seu trabalho como psicanalista?

         Livros como “O lobo da estepe” de Hermann Hesse, “Kafka à beira-mar” de Haruki Murakami e “Em busca do tempo perdido” de Marcel Proust me deram a forma e o significado da escrita, assim como a fruição e a reflexão sobre a literatura de ficção.

         Por fim, recomendo aos psicanalistas e psicanalistas em formação que leiam tudo o que puderem sobre poesia e literatura. Do meu ponto de vista, a escrita permitirá uma sinceridade com nós mesmo, dando formas às experiências de nossas vidas que talvez não tenham podido ser assimiladas. Isso nos permitirá entender melhor nossos pacientes.

Twitter Pablo Guerero @pagibar

tradução para o português: Tiago Mussi

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