Entrevista com Miguel Calmon

1. Como pensar a psicanálise em tempos de crise? Eu penso que a psicanálise nos fornece ferramentas fundamentais para nos socorrer em tempos de crise. Gosto muito quando André Green nos afirma que o discurso psicanalitico desenluta a linguagem, significa dizer, um discurso que permite que a palavra recupere sua força poética.

2. Como manter a palavra circulando mais além da tragédia do contágio dos corpos? Pela única via que a palavra circula: o afeto. O isolamento social é físico não afetivo. No decorrer da pandemia, salvo os exemplos dos terraplanistas, a solidariedade, a humanidade dos homens ficou mais em evidência.

3. Em sua experiência, que efeitos tem a ruptura da ilusão de que o analista não padece das mesmas dificuldades que o analisando, como evidencia a pandemia atual do coronavírus? Um maior comprometimento dos analistas com seu tempo e, logo, com os acontecimentos sociais.

4. Em seu país e em sua Sociedade de Psicanálise, quais medidas estão sendo adotadas para sustentar os laços sociais em tempos de isolamento social? Quanto ao meu país, peço que se reportem a um artigo publicado no Psychoanalysis Today, que nomeei: A covid-19 e os terraplanistas. Quanto a SBPRJ, temos nos esforçado para asimlilar os impactos do novo coronavírus através do uso de meios remotos para análises, supervisões, avaliações e conferências através de mudanças nos estatutos por meio de medidas transitórias.

 5. Quais são as medidas que estão sendo tomadas para cuidar dos analistas em formação em seu Instituto? A primeira delas foi suspender os seminários, e incentivando iniciativas individuais de formação e grupos de estudos e de discussão a fim de manter a integração do grupo; através das medidas transitórias garantir que análises, supervisões, avaliações de relatórios, reuniões científicas possam se dar remotamente; implementação das condições necessárias para que todos os cursos da formação possam se dar também remotamente. E manter os membros informados destas iniciativas a fim de que a coesão societária se mantenha.

Gostaríamos de fazer algumas perguntas sobre o treinamento analítico em tempos de pandemia …

. Quais são suas particularidades no momento atual? Estamos constantemente tomados pelo conflito entre a tradição e capacidade de renovação. Tempos de crise são momentos onde os valores são submetidos a questionamentos que nos permitem observar e logo separar o que  sustenta e deve ser mantido e o que precisa ser modificado. São tempos que nos mostram que  o mundo e nós mesmos não somos mais o que fomos, o quê éramos, e assim  as mudanças são mais urgentes e isto nem sempre é percebido ou aceito.

. De que forma sensibilizar os analistas em formação para a escuta desses atravessamentos entre a subjetividade e os acontecimentos sociais? Levando para dentro das instituições os acontecimentos sociais. Superando definitivamente a separação arbitrária entre as subjetividades e os acontecimentos sociais.

. Quais são suas implicações clínicas e de que forma transmitir o fazer psicanalítico em tempos de  crise? Evidenciar que somos todos filhos do tempo.

. Qual é o papel do Instituto de Psicanálise nesses momentos? Acompanhar as mudanças dando respaldo para que o interesse pela formação se mantenha. Tempos de mudanças, tempos de flexibilidade, tempos de medidas de exceção.

De que forma o Instituto auxilia o analista em formação a continuar a formação remotamente, mantendo a análise pessoal, supervisão e estudo teórico? Dando-lhes caráter oficial. Pode parecer piada, mas houve quem questionasse isso.

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