Diretoria Científica

PLATAFORMA DE TRABALHO: Gestão Científica 2018-2020

I – ARGUMENTAÇÕES
Pensando na psicanálise que abre o seu devir na América Latina de hoje nos perguntamos:
o que pode aportar-nos de novo a escuta analítica? E, em função disso, o que podemos
nós, analistas, dizer do horizonte de nossa época, no interior e a partir das margens da
nossa prática?
Nessa linha, a proposta foi subverter a modalidade vigente, que consistia em levar um
tema escolhido pela comissão diretiva para ser anunciado no Congresso de 2018. Ao invés
disso, convidamos às secretarias científicas das sociedades componentes a enviar temas e
problemáticas que hoje atravessam a teoria e a clínica na América Latina.
Ao considerar o contexto histórico, social, político e econômico dos diferentes países da
América Latina onde se insere nossa práxis, incluímos o modo como se implicam a
psicanálise e nossas culturas.
A hibridação cultural que fecundou o trabalho e o futuro da psicanálise dá conta da
riqueza e da intertextualidade de perspectivas com as que a tradição psicanalítica se vê
interferida em um movimento contínuo que, ao afrontar os desafios próprios de cada
época e lugar, sustenta o legado freudiano em seu espírito de busca e ruptura, que foi e
segue sendo a gnose da sua vigência.
Então, nos perguntamos que fazemos com a complexidade que impacta o corpo teórico e
clínico da psicanálise, que, por sua vez, alude a diversas subjetividades. Sobre que
dimensões se organizam essas novas subjetividades?
Propomos algumas entradas para pensar o par Psicanálise/América Latina.
Uma, diz respeito à forma em que são lidas, atualizadas ou recontextualizadas as teorias
de Freud, com a inquietação de discutir as possíveis diferenças ou semelhanças neste
âmbito cultural. Outra, traz a pergunta sobre a existência de particularidades latino
americanas, sobre a base da condição de um sujeito que é fruto de um caldeirão de
civilizações.
Portanto, o latino americano é atravessado pela mestiçagem, marca que se encontra em
sua raiz e em cada manifestação cultural. E quais são as ressonâncias desse traço
constitutivo do sujeito latino americano na clínica e nas teorias psicanalíticas? Quais os
efeitos dos atuais malestares na cultura: migrações, regimes autoritários, violência,
discriminação, corrupção, pobreza? Qual é a incidência das mudanças derivadas da ciência
e da tecnologia que vêm transformando o mundo e a vida do ser humano, tão distinta em
muitos aspectos a de um século atrás, quando a psicanálise teve a sua origem?
Como compreender este acoplamento entre o humano atual e os dispositivos tecnológios
que parecem cohabitar como partes fundidas em sua subjetividade, em especial na
grande população de nativos cibernéticos?
Por outro lado, nos importa o lugar que tem o assombro, como aquilo que se produz ante
o encontro com uma alteridade radical, como a presença de um mais além; ocupa lugar,
precisamente na interrupção das representações.
E chegamos ao ponto em que migração – estrangeiridade, exílio, refugiados e exaustos
peregrinos se impõem como algo que desejamos que não fique de fora de nossas
abordagens, fenômeno social que nos implica e convoca como latino-americanos em um
dia – a – dia cada vez mais apremiante. Como diz Bordieu:
“Nem cidadão , nem estrangeiro, nem totalmente do lado do Mesmo, nem totalmente do
lado do Outro, o ‘imigrante”’se situa nesse lugar ‘bastardo’, do qual Platão também fala,
na fronteira entre o ser e o não ser social.” (Bordieu, 1998).
As migrações implicaram sempre algo do encontro com esse impossível de outras
paisagens e outras culturas.
Na psicanálise pode-se conceber migração na ordem dos conceitos e das teorias. Já seja
para quem migra ou para quem aloja, desespero e assombro são duas possíveis respostas
a esse impossível que fica de fora da realidade psíquica de um ou de outro. A primeira,
determinando extermínios, cerceamentos culturais ou alienações infrutuosas. A segunda,
permitindo sustentar esse indizível, onde a criação de uma nova intimidade, como o inabordável
pelo outro, seja respeitada e possível.
A Intertextualidade, como o necessário e incessante diálogo entre distintas disciplinas,
contextos, olhares e vertentes psicanalíticas, que aborda a complexidade dos fenômenos,
a partir dos diferentes campos do saber que o respeito pela diversidade aloja.
Uma das preocupações relevantes para a psicanálise na atualidade é, sem dúvida, a que
concerne à dupla inclusão/exclusão, assim como atender às complexidades que advêm da
escuta a partir das margens, promovendo um movimento de confrontação de nossos
saberes com novos paradigmas que vão transformando o mundo e nossa práxis, gerando
a dialética entre o inédito e o ensinamento freudiano que nos impõe refletir sobre o que
se inclui dentro do nosso campo ou como extensão ao mesmo.
Em prol de tomar o legado de Freud para a Transmissão da psicanálise e atender às
drásticas mudanças que vêm afetando a cultura atual, é necessário formular-nos que tipo
de formação queremos para as futuras gerações de psicanalistas. Que problemáticas
detectamos com relação aos nossos modelos formativos em um mundo em
transformação? Impõe-se transitar a tensão entre tradição e inventividade que
acompanha todo o desenvolvimento do conhecimento.
Com estas ideias macro:
Propomos para este tempo de trabalho científico empreender um percurso pelos conceitos
de: mestiçagem, assombro, migração-estrangeiridade, interpelados a partir da
complexidade, da intertextualidade, do marginal e da transmissão, como grupo de ideias
que atravessem os argumentos e as tramas dos eventos científicos que se realizem
durante a gestão 2018-2020, pela FEPAL e, eventualmente, em suas sociedades
componentes.

II – AGENDA DE TRABALHO
De acordo con o art. 5 dos estatutos da FEPAL, localizamos como objetivo geral da
directoria científica promover, fomentar, apoiar, e auspiciar o estudo, o intercâmbio, a
pesquisa e o desenvolvimento da psicanálise nas organizações membro desta Federação
e, a través disso, favorecer o desenvolvimento da psicanálise na América Latina. Para
realizar tal tarefa constituímos uma equipe de trabalho conformada por membros das três
regiões da FEPAL, um candidato da Ocal e um representante do comitê local do congresso
de Montevidéu, a reunir-se em um ritmo regular de encontros por GoToMeeting,
devidamente programados.

Congresso FEPAL 2020
-Criamos um comitê local em Montevidéu, dedicado à organização do Congresso, que
trabalhará em permanente e fluida comunicação com a comissão científica da FEPAL,
formando parte também a coordenadora local das reuniões da equipe da científica.
-Será tarefa da comissão científica recolher as propostas enviadas pelas sociedades
componentes da FEPAL. Logo, a partir deste trabalho de decantamiento, surgirá o TITULO
do congresso 2020. Entusiasma-nos o interesse de que a escolha do tema nasça da escuta
ampla das sociedades, como emergente dos grupos de base da federação.
-Para isso, solicitaremos às sociedades que nomeiem um delegado para manter um
diálogo permanente com a nossa equipe de trabalho.
-Vamos trabalhar no sentido de modificar o dispositivo do Congresso, na busca, debatida
e consensual, de um formato novo, tanto para os eventos prévios, como para a estrutura
do congreso em si, com a aspiração de produzir movimentos performáticos na
membresia. A tarefa não será fácil e os inconvenientes estarão presentes, porém a ideia
que sustenta este projeto é a de dar um giro na construção tradicional dos congressos,
com a perspectiva de convocar a um encontro com traços renovados.
-Organização e realização do Congresso Didático

OUTRAS ATIVIDADES

  • Continuar a construção dos Encontros Inter regionais de Adultos nas distintas regiões da
    FEPAL (norte, centro e sul).
    -Planejamento e realização do Encontro Inter federativo.
    -Realizar, junto às diretorias de Comunidade e Cultura e Infância e Adolescência, eventos
    conjuntos em interação com a temática científica.
    -Coordenar, com os diferentes modelos de Working Party, sua participação nos Encontros
    planejados, assim como no próprio Congreso 2020.
  • Participar nos Simpósios e congressos das sociedades componentes.
  • Fomentar o diálogo e a participação no congresso da FEBRAPSI.
  • Coordenar encontros com os representantes do ILAP, que permitam trabalhar em
    sintonia entre os grupos em formação e as linhas científicas propostas.
  • Convocar ativamente a OCAL para trabalhar e debater temas de interesse comum.
  • Con relação às Comissões de Trabalho que se reportam à diretoria científica, favorecer o
    diálogo e a difusão das tarefas e produções que as mesmas realizam.
  • Gestionar um laboratório psicanalítico virtual.

Elizabeth Chapuy
Diretora Científica

Helena Surreaux
Diretora Científica Suplente

Comissão Científica
Herrmann, Leda- Brasil – SBPSP.
Rodríguez, Cecilia – México – ApdeG.
Silva, María Luisa – Perú – SPP.
Zulian, Mauricio – Argentina – APA.
Press, Sandra- Uruguai- APU

Sociedad Iberoaméricana de Salud Mental en Internet

Código de Ética de SISMI

Federación Psicoanalítica de América Latina.
Está en conformidad con el Código de Ética de SISMI
Nº de Acreditación: 54079 | Fecha de Acreditación: 2 de Septiembre de 2011

SEDE PERMANENTE

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