Crianças e adolescentes estão em casa, mas como ir até eles?

Hoje iniciamos uma série de publicações semanais que terão como eixo principal o olhar para crianças e adolescentes neste momento de Pandemia em que ficaram privadas do mundo fora de suas casas. O Semear gostaria de agradecer a todos que contribuíram com este espaço de intercâmbio e diálogo entre colegas e a comunidade, enviando seus textos.

Crianças e adolescentes estão em casa, mas como ir até eles?

Simone Hurtado Bianchi Sanches

Membro Filiado – Sociedade Brasileira de Psicanálise de Ribeirão Preto

Escrevo este texto, tentando “conversar” com as famílias que estão vivendo a quarentena com os filhos em casa. Em tempos de pandemia, sabemos que o nível de tensão aumenta. Estamos todos ameaçados por um vírus que traz risco à saúde e instabilidade econômica e, dessa forma, ficar em casa pode exigir um verdadeiro malabarismo mental. De diferentes maneiras, isso atinge não apenas os adultos, mas também os pequenos e jovens que acompanham todas estas transformações.

Alguns pais podem ficar confusos. Não sabem como os filhos estão. Isso porque crianças e adolescentes, ao contrário dos adultos, podem ter uma maneira “indireta” de demonstrar como estão. Por exemplo, crianças e adolescentes nem sempre expressam suas tristezas e medos do jeito mais habitual (chorando ou ficando mais quietos). Pode ser que, ao contrário disso, passem a se mostrar mais irritados e agitados, dificultando a aproximação.

Assim recebemos este importante sinal de que nossa mente (e também a dos nossos filhos) não segue uma maneira linear de lidar com o que sentimos e pensamos. Esses dois pontos, tão importantes em nosso jeito de ser, muitas vezes seguem caminhos conflituosos e divergentes. Podemos desejar aproximação e, apesar disso, agir como se quiséssemos afastamento. Por isso, este texto tem o objetivo de incentivar que os pais confiem em suas próprias intuições e não se esqueçam de que até mesmo os adolescentes, já mais crescidos e aparentemente mais donos de si, também desejam e precisam de um tempo dedicados a eles.

Assim, é claro que cada família tem seu jeito de ficar junto, dividir tarefas, conviver. Pode ser por meio de jogos, conversas, histórias, brincadeiras, gincanas ou simplesmente observando e acompanhando o que eles já fazem e já gostam. A ideia é que cada casa possa viver esse período de seu próprio jeito, autêntico, como for possível. Da mesma forma, é certo que, cada um à sua maneira, precisará encontrar um tempo e espaço para si mesmo, sozinho. Até porque, neste momento, existem também desentendimentos e discussões, frente aos altos e baixos que têm acompanhado nosso cotidiano, cada vez mais complexo, ora assustador, ora entediante.

Em meio a tudo isso, sempre será importante que os pais estejam ali, como referência de companhia aos filhos. Pode ser surpreendente ir até eles (de forma livre e aberta) para conhecer o que a gente ainda não sabe, ao invés de insistir em trazê-los para nós e para nossas próprias ideias, já consolidadas e mais estáticas. Que privilégio ter uma mente em desenvolvimento perto da gente neste momento. Não para que eles sejam como nós, mas para que a gente saiba como eles são. E, quem sabe, se surpreenda e se contagie com a potência de uma mente original e criativa, vendo um mundo que não cabe mais em nossas ideias, inclusive sobre o mundo que conhecíamos até então.

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