Coordenação de Crianças e Adolescentes

Plataforma de Trabalho da Diretoria de Infância/Adolescência da FEPAL
Gestão 2018/2020

Fundamentação

“ Uma pequena ação vale um milhão de pensamentos “. ( Ai Wei Wei)

Uma plataforma de trabalho que proporcione um norte à diretoria de Infância/Adolescência da FEPAL, durante a gestão 2018/2020, deverá considerar a realidade diversificada que habitamos na América Latina. Cada país apresenta sua cultura própria, mesmo carregando em comum o fato de termos sido colonizados e aculturados por povos europeus, que aportaram seus costumes e geraram a mestiçagem latino-Americana e que tem como ideal a branquitude. Somos constituídos por uma mistura de negros, índios e brancos, portanto, em certa medida, “impuros”.

Será esta uma marca que define nossa subjetividade e que atravessa nossas relações no contato com outras culturas? Conseguimos aproveitar o que temos de mais genuíno de nossas experiências culturais, através de teorias, produções e vivências, realizando uma antropofagia sustentável?

Em paralelo à essas questões pretendemos pensar como a infância e a adolescência se coloca em nosso meio e como a Psicanálise faz frente a tais situações. Crianças e jovens bastante diversificados se apresentam como foco de atenção. Demandam um leque de ações, desde o exercício clínico praticado em nossos consultórios privados, até o olhar e intervenção extra muros. Um número expressivo de crianças na América Latina ( mais de 50 milhões até a idade de 17 anos ) vive em estado de pobreza, miserabilidade. Encontramos crianças nas ruas, desnutridas, fora da escola ou institucionalizadas. Fala-se da pobreza infantilizada, porque geralmente são as crianças o foco de maior sofrimento nestas situações. Tal fato requer uma
atenção especial a esta população jovem excluída, cuja subjetivação sofre efeitos devastadores.

Além das peculiaridades citadas, não há como desconsiderar o momentocultural que atravessamos. Houve um reordenamento dos papéis familiares nas últimas décadas, desconfigurando o lugar da lei e da borda que margeia a ordem geracional. A falência da ideologia marxista aplicada politicamente oportunizou a dominância do capital e do consumo como a principal fonte de satisfação na tentativa de driblar a falta. Não mais nos aceitamos como sujeitos castrados; desejamos a plenitude. Recaímos assim, no campo do impossível, da ordem do real, do ato, do corpo, da falta desmentida. Vivemos vínculos voláteis em uma sociedade que Folberg (2009, p.7) chama de disforme e desajeitada…de gente que pode tudo ao lado de gente que não pode nada.

Nossa proposta objetiva dar vistas e pautar o trabalho na realidade dessas crianças e adolescentes latino-americanos, historicamente prejudicados pela desigualdade social.

“Se você desviar o olhar, você é conivente”. ( Ai Wei Wei)

Temas Norteadores

Pretendemos considerar estas realidades propondo eixos norteadores que orientem nossas ações, conforme segue.
1- Vínculos hoje

  • A māe na primeira infância: no desejo, na palavra, na construção da imagem
    corporal e na depressão pós parto
  • Novas configurações familiares
  • Impacto do declínio do patriarcado e transformações das funçōes na
    família: maternidades, paternidades, filiação e irmandade
  • Autoridade e limites na sociedade, escola e familia
  • A terceirização dos vínculos

2- Clínica atual

  • Reinterpretar a clínica na contemporaneidade latino americana
  • A produção de conceitos originais
  • A escuta do brincar
  • O setting analítico: motivo de consulta; frequência; inclusão de pais, escola,
    babás, equipe multidisciplinar; novos meios de comunicação ( Wattsap,
    Skype, e-mail).
  • Repercussão das interrupções do trabalho analítico: intra e extra muros
  • A clínica e sua inserção na cultura


3- Vulnerabilidade na infância e na adolescência

  • Falhas da funçāo genealógica nos laços sociais ( Pierre Legendre)
  • Múltiplos enfoques de quebras de tabus: maltrato, abuso e incesto
  • Mal banalizado pela desmentida: rompimento do discurso e o gozo do amo
    e do escravo
  • Efeitos na subjetivaçao

Dispositivos de Trabalho


Pretendemos desenvolver as ações conforme seguem, sempre articuladas pelos
temas norteadores apresentados.


1- Encontros interregionais.
Os encontros interregionais sāo atividades científicas organizadas conjuntamente
com uma sociedade componente junto com FEPAL, abarcando três encontros anuais.
Promovem um diálogo entre diferentes regiões geográficas da Psicanálise na América
Latina, favorecendo o intercâmbio de experiências clínicas e conceituais, além de
difundir a Psicanálise na região onde a interregional se desenvolve.

2- Comitê de Políticas Públicas
Pretende criar uma rede de contatos latino-americana, compondo um
espaço de interlocução com áreas afins à Psicanálise, para produzir saberes e
propor ações relevantes na luta pelo reconhecimento das populações
historicamente prejudicadas, tendo como foco as crianças e adolescentes.
Para iniciar essas interações formar-se-á um comitê com colegas
representantes das três regiões da FEPAL e, a partir daí, desenvolver as ações
em três etapas, conforme segue:
1°- Reunir-se, pela internet, com o objetivo de formar um grupo de discussão
que produza conhecimento sobre as especificidades de cada região, no que
tange às suas características culturais e levantar problemas considerados
relevantes acerca da construção da subjetividade de crianças e adolescentes de
populações historicamente prejudicadas. Cada participante do grupo deverá
fazer contato com profissionais de áreas afins, como antropólogos,
historiadores, educadores, entre outros, que possam ampliar e aprofundar
nosso conhecimento. No Brasil, por exemplo, se evidencia como um dos
principais problemas a que estão expostas crianças e adolescentes das
populações prejudicadas, o racismo entranhado na cultura frente a negros e
indígenas, com efeito devastador sobre sua sujetivação. Pretendemos assim
constituir uma rede de contatos e, ao fim de um tempo, produzir um
documento que seria nosso argumento de fundamentação.
2°- Buscar conhecer mais profundamente possível órgãos internacionais como
UNICEF e UNESCO, bem como todos os projetos ligados à infância e
adolescência desenvolvidos por estas entidades, com o objetivo de propor
parceria em ações consideradas importantes e que a Psicanálise possa
contribuir.
3°- organizar um Simpósio durante o Congresso da FEPAL em 2020 com o
objetivo de debater a experiência entre os colegas envolvidos no trabalho
nestas áreas críticas de cada região e processar a experiência junto a todos
colegas interessados.

3- Diários de la Calle
Tem por objetivo divulgar no canal Fepal vídeos sobre o trabalho extra muros de
psicanalistas latino-americanos realizados junto à comunidades vulneráveis. Podem ser
apresentados na forma de filmes, entrevistas ou relatos.
Pretende, a partir destas produçōes, visibilizar tais experiências e desenvolver
um fórum de debates acerca delas.

4- Semear
Projeto de criação de um espaço de escrita organizado e coordenado por
analistas em formação na América Latina. Pretende ser um sementeiro de idéias sobre
a Psicanálise desde dentro das sociedades para além delas. Os textos produzidos visam
uma ampla divulgação, junto ao público leigo, de informações sobre os cuidados
necessários frente à infância e adolescência. A idéia é que os textos sejam divulgados
no site da FEPAL e em uma página no Facebook. Criado para semear idéias e promover
discussão, regando as sementes de cuidado com nosso futuro: analistas jovens
pensando as crianças e adolescentes latino-americanos.

5- Construção de um Manifesto sobre a subjetividade em crianças e adolescentes
em estado de vulnerabilidade. Projeto a ser desenvolvido em três etapas:
1°- realização de estudos que forneçam subsídios teóricos fundamentais
2°- confecção do Manifesto propriamente dito
3°- lançamento de campanha na mídia que sensibilze mais a sociedade com
relação às crianças que ficam marginalizadas e invisibilizadas

6- Comissão de trabalho e grupo de estudos
Realizam estudos sobre temas eleitos pelo grupo constituído por colegas de
diferentes regiões e sociedades com apoio da Diretoria de Infância/Adolescência
da FEPAL.
Temos atualmente um grupo que se chama Alô Bebê e uma comissão que estuda A
primeira infância e as patologias precoces.

Sociedad Iberoaméricana de Salud Mental en Internet

Código de Ética de SISMI

Federación Psicoanalítica de América Latina.
Está en conformidad con el Código de Ética de SISMI
Nº de Acreditación: 54079 | Fecha de Acreditación: 2 de Septiembre de 2011

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